devorar, chorando, os restos de bolo revirado que sobraram da festa que ninguém apareceu.
um olho que pesa, que não abre. não desperta. o sonho lúcido, fruto de devaneios.
um quarto vibe Laurinha Palmer, deixado às pressas, sem esconder vestígios. os indícios do teenage dream largado/despejado sobre as superfícies, a olho nu, tocado e devorado pelos olhos. como o olho consome e digere? o que acontece no entre do desejo e a culpa? uma dança envolta por inocência e brilho, que carrega segredos sujos e permeados por arrependimentos com os segredos que a culpa persegue. se ninguém sabe, a pureza segue intacta. a agarro pelas mesmas mãos que em sigilo estão infestadas com o cheiro dos cigarros de cravo, mas que na luz do dia indicam apenas a pureza e a suavidade esperada pela flor da idade.
dedo no bolo
brigadeiro roubado
lamber o merengue
a festa que se passou
fomos direto pro fim
afterparty rivotril
dormi com a cara no bolo
sensação de não-lugar, de não caber.
o que de fato se deu no aqui? neste tempo? ele não sacia. ele não excita. ele não saliva. a língua implora pelo doce amargo que insiste em dominar os lábios, os dedos, a carne, o secreto. implora pelo retrogosto de primeiro beijo descompassado. é necessário recorrer às temporalidades existentes entre as vírgulas do que de fato se deu. o corpo da memória que em muitas das noites é anônimo, um fugitivo do tempo.
às vezes penso que sabor teria uma estrela, e acho que seria exatamente esse: um docinho acompanhado de uma explosão azedinha amarga, como um Dip Loko.
fiquei te devendo um algodão doce